Escutai todos atentos em minhas
palavras porque nunca foram ditas e pelo arder do sangue em minhas veias que
queima como o gosto do rum na garganta e o vinho nos lábios, elas jamais serão
repetidas, ouçam a vida de um homem de boa índole e caráter invejável embora hoje
bêbado e moribundo.
Esse corpo cicatrizado e sujo enrolado
em trapos já se vestiram do mais nobre tecido, minha cabeça queimada de sol já ostentou
belos chapéus. A história de um homem enganado cuja alma jaz do demônio.
Eu era um lorde rico, minha fortuna
era bem maior que todo ouro sonhado por todos vocês em todos os seus sonhos de
luxuria, era casado com uma bela mulher que de tão linda era capaz de amolecer
até o coração mais duro e despertar sentimentos até no mais bruto dos homens,
mas deixei-me corromper quando conheci uma mulher misteriosa e linda que me fez
perder a cabeça em noites fervorosas às escondidas regadas de vinho e suor do
calor de nossos corpos, após conhecê-la nada mais me saciava. Minha esposa eu
já nem olhava mais nos olhos e meus tesouros parecia um amontoado de pedras sem
utilidade, a mulher me convencera a deixar minha esposa e dar seu lugar a ela,
inebriado pela voz doce e seu olhar negro sem pensar fui fazer o que ela me
pedira, porem minha esposa e eu discutimos porque ela se recusava a me deixar
sem motivos, no meio da briga lhe dei um golpe na cabeça com a taça de metal
que em minha mão estava, demorei um pouco ao vê-la caindo se debatendo e depois
não se mexendo mais. Estava morta, aos poucos sua cor se esbranquiçava e seu
corpo enrijecia seu calor não era mais possível sentir, deitei-me ao seu lado
sem saber o que eu iria fazer. Chamei um medico de minha confiança o qual
dissera que ela estava gravida e me aconselhou fugir e foi o que eu fiz, mas
antes fui chamar a mulher cuja minha alma se perdera após conhecê-la, porem ela
agora se recusava a vir comigo provando que seu interesse sempre foi minha
fortuna e somente saciar seu desejo de luxuria.
Vaguei por cidades, passei fome e
dormir em meio ao relento pra pagar meus pecados sempre me encharcando com
bebida e mulheres tentando apagar a culpa e o sangue inocente de minhas mãos
hoje eu estou aqui sentindo o hálito fétido da morte que me acompanha onde quer
que eu vá...
—Já ouvi o bastante! Disse um jovem
que se levantava com os olhos escuros de ódio sacando uma arma de sua cintura e
virando o ultimo gole de vinho da sua taça.
—Eu não conheço você, mas já vi esses
olhos antes. Disse o velho moribundo antes de ser atingido no peito pela bala
da arma que seu filho renegado carregou por todos esses anos a espera de
encontrar seu pai o homem que o fazia ter ódio da própria vida, a qual logo
chegou ao fim pelas suas próprias mãos.
Estava agora juntos sem vida dois
corpos no chão, o sangue dos dois se misturavam ao vinho derramado.
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